Como fazer um plano de carreira (com modelo pra copiar)
Plano de carreira não precisa ser um documento de 20 páginas. Precisa dizer pra onde você quer ir, o próximo passo e quando você vai conferir se está andando.
· 9 min de leitura

Muita gente acha que plano de carreira é coisa de empresa grande, com trilha de cargos e RH dedicado. Esse existe, mas o que importa aqui é o seu: um roteiro curto de onde você quer chegar e do que fazer nos próximos meses. Ele vale estando empregado, procurando emprego ou pensando em mudar de área.
Plano de carreira, PDI e plano de cargos: qual é qual
| Nome | O que é | De quem é |
|---|---|---|
| Plano de carreira | Onde você quer chegar nos próximos anos e as etapas até lá. | Seu |
| PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) | As ações de curto prazo pra desenvolver o que você precisa: cursos, projetos, mentoria. Muitas empresas fazem junto com o gestor. | Seu, às vezes combinado com a empresa |
| Plano de cargos e salários | A estrutura de cargos, níveis e salários da empresa, com as regras de promoção. | Da empresa |
O passo a passo
1. Olhe pra você
Duas ferramentas simples ajudam:
- FOFA pessoal (a versão em português da análise SWOT): suas Forças e Fraquezas, que dependem de você, e as Oportunidades e Ameaças do mercado, que vêm de fora.
- Âncoras de carreira, do professor Edgar Schein, do MIT: o que você não abre mão no trabalho. Ele descreveu oito: competência técnica, gestão, autonomia, estabilidade, empreendedorismo, servir a uma causa, desafio e estilo de vida (conciliar trabalho e vida pessoal). Pergunte a si mesmo qual delas mais pesa nas suas escolhas.
2. Pesquise o mercado
Que cargos existem no caminho que você quer? Quanto pagam? O que pedem nas vagas? Guias salariais, como os da Robert Half e da Catho, e a leitura de umas 20 descrições de vaga do cargo que você quer já dão um bom retrato.
3. Defina onde quer chegar
Uma frase, com prazo de 3 a 5 anos. “Ser coordenadora de atendimento numa empresa de tecnologia” é melhor do que “crescer na carreira”.
4. Quebre em metas de 6 a 12 meses
Aqui entra a famosa meta SMART. Ela foi proposta por George Doran num artigo de 1981 sobre metas de gestão, em que as letras eram: específica, mensurável, atribuível (quem vai fazer), realista e com prazo. A versão que circula hoje troca o “atribuível” por “atingível” ou “relevante”. Pro seu plano, o que importa é: dá pra saber, numa data marcada, se você cumpriu ou não?
Em vez de “melhorar meu inglês”, “conseguir conduzir uma reunião de 30 minutos em inglês até junho, fazendo duas aulas de conversação por semana”.
5. Escolha as ações de cada meta
Curso é só uma das formas de aprender. O Center for Creative Leadership popularizou a regra 70-20-10: a maior parte do aprendizado viria de desafios no trabalho, uma parte de outras pessoas (mentoria, feedback) e uma parte menor de cursos. O próprio centro chama isso de diretriz, e um estudo de 2018 mostra que a base dos números é fraca. Mesmo assim, a ideia serve: inclua no plano projetos e conversas, não só cursos.
6. Dê prazo e medida pra tudo
Cada ação com uma data e um jeito de medir. Sem isso, o plano vira lista de desejos.
7. Marque a revisão
Coloque na agenda uma revisão a cada três meses, por exemplo, ou junto do ciclo de avaliação da sua empresa. A vida muda, a empresa muda, e o plano pode mudar junto. Mudar o plano não é fracassar.
O modelo pra copiar
ONDE EU QUERO CHEGAR (em 3 a 5 anos): [uma frase com cargo, área ou tipo de trabalho] O QUE ME MOVE (minhas âncoras): [ex.: autonomia, estabilidade, desafio] MINHAS FORÇAS: [3 coisas] O QUE PRECISO DESENVOLVER: [3 coisas] METAS DOS PRÓXIMOS 12 MESES: 1. [meta] · como vou medir: [ ] · até: [data] 2. [meta] · como vou medir: [ ] · até: [data] AÇÕES: - [ação] · pra qual meta: [ ] · quem pode me ajudar: [ ] · até: [data] PRÓXIMA REVISÃO: [data]
Cole no bloco de notas do celular, num documento ou imprima. O formato importa menos do que você abrir de novo na data da revisão.
Um exemplo preenchido
Onde quero chegar: coordenar uma equipe de atendimento em até 4 anos. O que me move: estabilidade e desafio. Meta 1: liderar o treinamento dos novos atendentes no próximo semestre, medido pela nota da integração. Meta 2: concluir um curso de gestão de pessoas até março. Ações: pedir à minha gestora pra conduzir a integração de quem entrar; conversar uma vez por mês com uma coordenadora de outra área; fazer o curso duas noites por semana. Próxima revisão: 15 de janeiro.
Por que funciona: O objetivo é concreto, as metas têm data e medida, e as ações misturam prática, pessoas e curso.
Os erros que mais travam um plano
Evite
- Meta vaga (“crescer”, “ser feliz no trabalho”)
- Plano sem data e sem medida
- Só cursos, nenhuma prática
- Nunca mais abrir o plano
- Copiar o caminho de outra pessoa
Prefira
- Um objetivo numa frase, com prazo
- Metas que dá pra conferir numa data
- Projetos, pessoas e cursos
- Revisão marcada na agenda
- Partir do que move você
Pra levar daqui
- 1Plano de carreira é seu, e cabe numa página.
- 2Comece por você: forças, fraquezas e o que te move.
- 3Objetivo de longo prazo numa frase; metas de 6 a 12 meses com data e medida.
- 4Aprender também é projeto e conversa, não só curso.
- 5Marque a revisão. Mudar o plano faz parte.
Fontes consultadas
- Doran (1981), There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives, Management Review (PDF)
- Center for Creative Leadership: a regra 70-20-10
- Clardy (2018), crítica às evidências da regra 70-20-10 (Human Resource Development Review)
- MIT Sloan: 5 ideias de Edgar Schein, incluindo as âncoras de carreira (2023)
- Robert Half: Guia Salarial 2026
- Catho: Guia de Profissões e Salários



