Fim da escala 6x1: o que muda e quando começa a valer

O Congresso aprovou a PEC que troca a 6x1 por dois dias de folga e reduz a jornada pra 42 e depois 40 horas. Veja o que muda, quando e pra quem.

· 7 min de leitura

Uma mulher sentada num banco de praça arborizada numa manhã de sol, lendo um livro, com uma garrafa de água azul ao lado.

Na noite de quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou em dois turnos a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. Foram 75 votos a favor e 1 contra no segundo turno, segundo a Agência Senado. A Câmara já tinha aprovado o mesmo texto em maio. Com isso, a votação no Congresso acabou, e a proposta segue pra promulgação.

Se você trabalha seis dias e folga um, a pergunta é simples: o que muda na minha semana, e a partir de quando? A resposta tem algumas camadas. Vamos por partes.

Como é hoje

A Constituição (art. 7º) limita a jornada normal a 8 horas por dia e 44 por semana e garante um descanso semanal remunerado, de preferência no domingo. A CLT (art. 67) fala em 24 horas seguidas de descanso por semana. É assim que nasce a 6x1: seis dias de trabalho, um de folga, somando até 44 horas.

O que a PEC muda

HojeDepois da transição
Jornada máxima por semana44 horas40 horas
Folgas remuneradas por semana1 (de preferência no domingo)2 (uma de preferência no domingo)
Limite por dia8 horas8 horas
SalárioO do contratoNão pode ser reduzido, nem o piso da categoria
Hora extraPelo menos 50% a maisContinua igual
Resumo do texto aprovado pela Câmara e mantido pelo Senado, segundo a Agência Câmara e a Exame.

Quem já trabalha 40 horas ou menos não tem o salário cortado em proporção nenhuma, e também passa a ter direito às duas folgas, segundo a Agência Câmara.

Quando começa a valer

A mudança é em duas etapas, contadas a partir da publicação da emenda:

  1. 14 de outubro de 2026

    O Senado aprova a PEC em dois turnos. O texto vai à promulgação, sem passar pelo presidente.

  2. Promulgação

    As Mesas da Câmara e do Senado promulgam a emenda. Até a data desta matéria, a data ainda não estava confirmada.

  3. 60 dias depois

    Duas folgas remuneradas por semana e jornada máxima de 42 horas.

  4. 14 meses depois

    A jornada máxima cai pra 40 horas por semana.

Na prática: se a emenda for promulgada ainda em outubro, a primeira etapa chega por volta de dezembro de 2026, e as 40 horas, no fim de 2027. Durante a transição, acordo ou convenção coletiva pode esticar o dia pra além de 8 horas pra fechar as 42 horas da semana, desde que as duas folgas sejam mantidas.

Quem tem regra diferente

Escala 12x36 e atividades essenciais

Em escalas como a 12x36 e em áreas como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, o acordo coletivo pode, em caráter excepcional, compensar as folgas dentro do mês. A conta precisa dar, em média, duas folgas por semana no mês, segundo a Agência Câmara.

Quem tem diploma e ganha acima de R$ 21.188,87

Pra quem tem curso superior e ganha mais que duas vezes e meia o teto do INSS (R$ 21.188,87 em 2026), a jornada pode ser definida direto com a empresa ou em acordo coletivo, sem o limite de horas e sem controle de ponto. As duas folgas continuam valendo.

MEI, micro e pequenas empresas

Uma lei complementar ainda vai definir regras de transição pra esses negócios. Por enquanto, não há data.

Terceirizados que trabalham pro setor público

A mudança depende de um aditivo no contrato entre a empresa e o órgão público, em até um ano. Se o aditivo não sair no prazo, a redução vale do mesmo jeito.

O que dizem os estudos

Os números variam bastante porque cada estudo parte de uma premissa diferente, principalmente sobre quanto a produtividade sobe e se as empresas vão contratar mais. Estes são os principais, segundo a Agência Brasil:

QuemO que estima
IpeaCusto do trabalho 7,8% maior, em média. Se repassado inteiro, preço cerca de 1% maior. Negócios com até 9 empregados podem precisar de apoio.
CNI (indústria)PIB 0,7% menor (R$ 76 bilhões) e preços 6,2% maiores, em média.
CNC (comércio)Folha de pagamento 21% mais cara e repasse de até 13% pro consumidor.
Unicamp (Cesite)Sem números. Avalia que a redução estimula contratações e não vê risco de alta geral de preços.
PUC-Rio e USP (2002)Olhando pra Constituição de 1988, que reduziu a jornada de 48 pra 44 horas, não acharam efeito negativo no emprego.
A Uezu não toma partido: os estudos estão aqui pra você entender o debate.

26,8 milhões

de trabalhadores seriam beneficiados pelo fim da escala 6x1, segundo o Dieese.Fonte: Estimativa do Dieese, citada pela Exame (14/10/2026)

E até lá, o que fazer?

Por enquanto, nada muda no seu contrato. A escala atual continua valendo até a primeira etapa entrar em vigor. Algumas coisas ajudam a se preparar:

Pra ficar de olho

  1. 1Acompanhe a data da promulgação. É ela que dispara a contagem dos 60 dias.
  2. 2Pergunte ao RH ou ao sindicato como vai ficar a sua escala. Em muitas categorias, a mudança passa por acordo coletivo.
  3. 3Olhe o holerite depois da mudança. A jornada diminui, o salário não.
  4. 4Pense no que fazer com a folga a mais: descanso, família, um curso, aquela mudança de área que está na gaveta.

Ainda ficou dúvida?

O fim da escala 6x1 já está valendo?

Ainda não. O Congresso terminou a votação em 14 de outubro de 2026, e a emenda precisa ser promulgada. As primeiras regras (42 horas e duas folgas por semana) começam 60 dias depois da publicação. Até lá, vale a regra atual.

Meu salário pode diminuir por causa da jornada menor?

Não, segundo o texto aprovado. A redução da jornada não pode cortar o salário, nem o piso da categoria. A exceção é quem tem diploma e ganha acima de R$ 21.188,87: pra esse grupo, a jornada pode ser combinada direto com a empresa ou em acordo coletivo, mantendo as duas folgas.

A folga vai ser sempre no sábado e no domingo?

Não necessariamente. O texto prevê duas folgas remuneradas por semana, uma delas de preferência no domingo. Em escalas especiais e atividades essenciais, o acordo coletivo pode fazer uma compensação dentro do mês, desde que a média seja de duas folgas por semana.

Precisa de sanção do presidente?

Não. Emenda à Constituição é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado, sem sanção nem veto.

Fontes consultadas

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