Michael Jordan foi cortado do time? O que a história real ensina

A história mais contada do basquete não aconteceu bem do jeito que se conta. E a versão real é ainda mais útil pra quem acabou de receber um “não” numa seleção.

· 7 min de leitura

Uma bola de basquete azul parada sozinha na quadra de madeira de um ginásio escolar vazio, com sol do fim da tarde entrando pelas janelas.

Você deve conhecer a versão de palestra motivacional: o maior jogador de basquete da história foi cortado do time da escola, chorou, treinou dobrado e virou lenda. Ela aparece em cartaz, em vídeo e em post de segunda-feira.

A história real é um pouco diferente, e mais útil. Porque ela mostra uma coisa que quase ninguém conta quando recebe um “não” numa seleção: muitas vezes o não tem pouco a ver com o quanto você é bom.

O que aconteceu de verdade em 1978

Jordan estava no segundo ano da Laney High School, em Wilmington, na Carolina do Norte. O time principal (o “varsity”) era formado basicamente por alunos dos anos finais. Naquele ano, havia espaço pra um aluno do segundo ano, segundo a Newsweek e a NBC Sports.

A vaga foi pra Leroy Smith, amigo de Jordan, que tinha cerca de 2,01 m. O time não tinha ninguém com mais de 1,91 m. Jordan, com algo entre 1,75 m e 1,78 m (as reportagens divergem), ainda não enterrava. Ele foi pro time júnior, junto com a maioria dos colegas do segundo ano.

  1. 1978, aos 15 anos

    Não entra no time principal da escola. A única vaga de segundo ano vai pra um colega de cerca de 2,01 m.

  2. Mesma temporada

    É o destaque do time júnior e chega a fazer mais de 40 pontos em alguns jogos.

  3. Antes do ano seguinte

    Cresce até cerca de 1,91 m.

  4. 1979, no terceiro ano

    Entra no time principal e faz 35 pontos na estreia, segundo o Dallas Morning News.

Anos depois, numa entrevista de 1991 citada pela Newsweek e pelo Dallas Morning News, Jordan chamou o episódio de constrangedor e contou que, quando pensava em desistir de um treino, imaginava a lista do time sem o nome dele. A versão do “corte” pegou também porque ele mesmo contava assim.

A lição: o “não” às vezes é sobre a vaga, não sobre você

O técnico precisava de um jogador alto. Jordan era bom, mas não era o que aquela vaga pedia naquele momento. No mercado de trabalho isso acontece o tempo todo: a empresa precisa de alguém com uma experiência específica, de um perfil que complete o time, de quem possa começar já. Você pode ter feito uma ótima entrevista e, mesmo assim, não ser a pessoa daquela vaga.

O “time B” que virou vitrine

No time júnior, Jordan jogou muito, foi o destaque e chamou atenção. Pra quem está começando a carreira, o equivalente é o estágio numa empresa menor, o primeiro emprego fora da área dos sonhos, o projeto voluntário. É lá que você acumula as horas de quadra que a próxima vaga vai pedir.

O que fazer quando você não é escolhido

  1. Pergunte o porquê, com educação

    Nem sempre respondem, mas quando respondem você descobre se foi um requisito (como a altura do time do Jordan) ou algo que dá pra treinar.

  2. Separe o que é seu do que é da vaga

    Experiência que você ainda não tem é diferente de uma entrevista mal preparada. As duas têm saída, mas saídas diferentes.

  3. Ache o seu time júnior

    Qual vaga, curso ou projeto te dá, nos próximos meses, o que faltou desta vez?

  4. Treine a parte que depende de você

    Preparação, histórias com resultado, perguntas no fim. Isso melhora a cada tentativa.

Depois de um “não”, esta semana

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Pra levar daqui

  1. 1Jordan não foi cortado: ficou no time júnior porque a vaga pedia altura.
  2. 2Um “não” pode ser sobre o que a vaga precisa, não sobre o quanto você vale.
  3. 3O “time B” é onde você ganha a experiência que a próxima vaga pede.
  4. 4Pergunte, ajuste o que depende de você e tente de novo.

Pra descobrir o que mais pesa contra você nas entrevistas, faça o teste do ponto cego.

Este texto conta fatos publicados pela imprensa sobre Michael Jordan. Ele não tem nenhuma relação com a Uezu.

Ainda ficou dúvida?

Michael Jordan foi mesmo cortado do time da escola?

Não exatamente. Em 1978, aos 15 anos, ele não foi escolhido pro time principal da escola e jogou no time júnior, como a maioria dos alunos do segundo ano. A versão do “corte” ficou famosa em parte porque o próprio Jordan contava assim.

Por que ele não entrou no time principal?

O time tinha uma única vaga pra aluno do segundo ano, e ela foi pra Leroy Smith, amigo de Jordan, que tinha cerca de 2,01 m. O time precisava de altura. Jordan, na época, tinha por volta de 1,75 m a 1,78 m (as fontes divergem).

O que aconteceu depois?

Ele foi o destaque do time júnior, cresceu até cerca de 1,91 m antes do ano seguinte, entrou no time principal e fez 35 pontos no jogo de estreia.

Fontes consultadas

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A Uezu faz o papel da entrevistadora, por voz, com perguntas da vaga que você quer, e mostra o que melhorar em cada resposta. Dá pra treinar quantas vezes quiser.

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